Formação gratuita reuniu quase 300 participantes, integrou teoria e prática e reforçou o papel da cultura na transformação dos territórios
Após meses de formação intensa, o curso Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar chega ao fim consolidando-se como uma das maiores iniciativas de capacitação na área cultural em Mato Grosso e no Brasil. Em sua sexta edição, o projeto reuniu quase 300 participantes, entre alunos presenciais e da modalidade Educação à Distância (EaD), incluindo profissionais de diversas regiões do país e até de países vizinhos.
Realizado de forma gratuita, o curso foi estruturado em seis módulos, totalizando 180 horas de aulas teóricas e práticas. Ao longo da formação, os participantes tiveram contato com temas fundamentais como memória, identidade, museologia, políticas públicas, sustentabilidade, diversidade cultural e patrimônio histórico, sempre com abordagem atual, crítica e conectada à realidade dos territórios.
O CURSO
Realizado pela Ação Cultural, em parceria com a SECEL-MT, o Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, a UNEMAT e o IPHAN-MT, o curso conta com a coordenação pedagógica das professoras doutora Denise Argenta e mestra Vivienne Lozi e do professor doutor Renato Fonseca. Composto por seis módulos, totalizando 180 horas de aulas teóricas e práticas, nas modalidades presencial e virtual e certificação, o projeto prevê visitas técnicas em espaços culturais de Cuiabá e região metropolitana e uma saída de campo para mapeamento e reconhecimento de patrimônios culturais locais. As aulas tiveram início no último dia 6 de fevereiro e seguem até o dia 10 de abril.
FORMAÇÃO COM GRANDES NOMES E VISÃO CONTEMPORÂNEA
A qualidade do curso foi reforçada pela presença de especialistas reconhecidos nacional e internacionalmente. Entre eles, o professor Átila Tolentino, que trouxe reflexões sobre museologia social, memória e o protagonismo das comunidades na construção do patrimônio cultural.
Para ele, o curso se destacou pela organização e pela proposta pedagógica integrada. “Foi uma formação muito bem desenhada, que conseguiu articular diferentes temas e promover uma construção coletiva do conhecimento”, destacou.
A professora Denise Argenta, também coordenadora pedagógica, reforçou que o principal objetivo da formação foi preparar profissionais capazes de atuar como multiplicadores em seus territórios.
Segundo ela, o curso estimulou um olhar mais crítico e sensível sobre os espaços culturais. “A proposta é que os participantes consigam ressignificar suas práticas e desenvolver ações que impactem diretamente suas comunidades”, afirmou.
Também coordenadora pedagógica, a museóloga Viviene Lozi destacou o alcance da formação e o engajamento dos participantes como um dos principais resultados desta edição. A combinação entre aulas presenciais e online permitiu ampliar o acesso e fortalecer a troca de experiências entre diferentes realidades.
TEORIA E PRÁTICA CAMINHAM JUNTAS
Um dos grandes diferenciais do curso foi a integração entre teoria e prática. Na etapa final, os alunos participaram de visitas técnicas em importantes espaços culturais de Cuiabá, como o Cine Teatro Cuiabá e o Museu de História Natural de Mato Grosso.
A atividade de campo permitiu que os participantes aplicassem metodologias como observação sistemática, análise territorial e inventário participativo, transformando o conhecimento teórico em experiências concretas.
No Museu de História Natural, a coordenadora Suzana Hirooka reforçou a importância da educação patrimonial como instrumento de transformação social. Segundo ela, o maior desafio é transformar o conhecimento em prática e estimular a preservação tanto do patrimônio cultural quanto dos recursos naturais.

PARTICIPANTES DESTACAM TRANSFORMAÇÃO
Os relatos dos alunos reforçam o impacto da formação. De Juara, Daniel Marcos destacou que o curso trouxe um novo olhar sobre a preservação e a importância de levar esse conhecimento para municípios onde o tema ainda é pouco discutido.
Já Lucas Mateus, de Cáceres, ressaltou a troca de experiências como um dos pontos mais marcantes. Para ele, o curso ampliou a compreensão sobre o patrimônio como algo vivo, ligado à memória, identidade e pertencimento.
De Vila Bela da Santíssima Trindade, Joice Gonçalves destacou que a formação foi essencial para ampliar sua atuação na gestão de patrimônio, especialmente em uma cidade marcada por forte herança histórica e cultural. Segundo ela, o curso trouxe embasamento técnico e novas perspectivas para aplicação prática no município.
LEGADO E FUTURO
Além das aulas, os participantes agora seguem para a etapa de elaboração dos trabalhos finais, que irão resultar em estudos, diagnósticos, propostas educativas e registros culturais. Esse material será sistematizado e disponibilizado ao público, na forma de uma publicação digital, ampliando ainda mais o alcance da formação.
Mais do que um curso, o Conhecer para Preservar deixa como legado a formação de uma rede de profissionais comprometidos com a valorização do patrimônio cultural. Uma rede que agora retorna aos seus territórios com o desafio de transformar conhecimento em ação.
O encerramento da sexta edição não representa um fim, mas o início de um novo ciclo, onde cada participante se torna agente ativo na preservação da cultura, da memória e da identidade de suas comunidades.