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NOTÍCIA

Economia Criativa é tema de aula ministrada por pesquisador do Ministério da Cultura

 

A sexta aula da capacitação integra o módulo 2 e aborda a Economia Criativa como estratégia para a valorização do imenso legado cultural brasileiro na geração sustentável de emprego e renda em comunidades e territórios culturais

 

Os quase 300 participantes da sexta edição do curso gratuito de “Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar” – que está sendo ofertado de forma 100% gratuita – concluem nesta sexta-feira, dia 27, a última aula online do projeto. A aula integra o módulo 2 e tem como tema “Patrimônio Cultural, Desenvolvimento e sustentabilidade – As políticas de fomento Secretaria de Economia Criativa em diálogo com os museus e o patrimônio”.
Para abordar o tema, o curso contará com a participação do professor Gabriel Medeiros Chati, pós-doutor em políticas culturais, coordenador de Projetos da Secretaria de Economia Criativa (SEC) do Ministério da Cultura e coordenador do Observatório Celso Furtado de Economia Criativa (OBEC), da Secretaria de Economia Criativa, em Brasília/DF.
A aula foca nas políticas da Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura e no potencial criativo de museus e patrimônios, valorizando heranças culturais, identidade e memória como instrumento de desenvolvimento social, econômico e cidadão. Serão tratados os modelos de financiamento (público e privado), sustentabilidade financeira de longo prazo e os impactos socioeconômicos dos museus na economia criativa.
Como pontua Gabriel, é preciso esclarecer conceitos, como o da economia criativa. “Trata-se de um conjunto de atividades econômicas baseadas na criatividade, nas competências e nos talentos individuais e coletivos, com potencial para geração de trabalho e riqueza mediante a produção e a troca de bens e serviços culturais e criativos. Diferentemente de perspectivas reducionistas que associam a criatividade exclusivamente às atividades intensivas em inovação tecnológica, a abordagem brasileira — fundamentada no pensamento de Celso Furtado — reconhece que a cultura constitui dimensão essencial do desenvolvimento”.
E a Secretaria de Economia Criativa, como completa o pesquisador, existe para articular políticas públicas que reconheçam a diversidade cultural brasileira como ativo estratégico para o desenvolvimento econômico e social do País. “A SEC institucionaliza o compromisso do Estado brasileiro com a valorização da criatividade coletiva presente em nossos territórios, reconhecendo que manifestações das identidades culturais e os saberes ancestrais constituem reservas econômicas significativas, geradoras de emprego e renda” destaca o professor Gabriel.
A recriação da Secretaria de Economia Criativa, relativamente tardia, se dá em maio de 2025, contudo, representa o ressurgimento de uma agenda estratégica para o desenvolvimento brasileiro. O Brasil Criativo, política estruturante da SEC, articula estas diferentes frentes em torno de objetivos comuns: o fortalecimento das identidades culturais locais, a geração de emprego e renda a partir da cultura, e a promoção do desenvolvimento territorial sustentável fundamentado na criatividade e na diversidade cultural brasileira. Para alcançar tais objetivos, a estrutura da SEC conta com a Diretoria de Desenvolvimento da Economia Criativa, que coordena e executa as edições do Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MIC-Br), e vem organizando a inclusão da Economia Criativa na Política Nacional Aldir Blanc (PNAB-EC), instrumento fundamental para a descentralização de recursos e o fortalecimento dos sistemas locais de cultura.
GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA A PARTIR DO PATRIMÔNIO CULTURAL – O patrimônio imaterial constitui, efetivamente, fomentador potencial de atividades criativas. A SEC reconhece que saberes tradicionais, manifestações culturais e expressões das culturas imateriais não são apenas elementos de preservação memória e constituintes de identidade, mas ativos capazes de dinamizar processos e sustentar trocas econômicas locais. “Nesse contexto, os museus constituem núcleos de criatividade coletiva e individual, capazes de ancorar, acolher e criar cadeias produtivas culturais enraizadas em territórios, inclusive festas culturais, gastronomia e saberes tradicionais”, afirma o professor Gabriel.
TERRITÓRIOS CRIATIVOS – Ao ser perguntado sobre o conceito de território criativo, Gabriel reforça que não se trata de modelos normativos importados, que frequentemente associam criatividade exclusivamente a hubs tecnológicos ou centros urbanos de inovação (que tem sua importância e função, diga-se). E explica: “para cada território, há que se identificar seu veio cultural representativo e mobilizador, seu potencial criativo. Quando promovem o reconhecimento e a valorização da diversidade cultural local como fundamento de processos criativos endógenos, museus e iniciativas de patrimônio, atuam não como instituições isoladas de preservação, mas como agentes dinâmicos de transformação social, geradores de emprego, renda e identidade cultural”.
Um território criativo não importa modelos externos, ainda que esteja aberto às trocas e colaborações, mas deve antes identificar e potencializar suas próprias expressões culturais, sejam elas manifestações festivas, saberes artesanais, narrativas históricas ou práticas comunitárias. “Territórios criativos articulam-se em redes de produção cultural, conectando museus, escolas, mestres de cultura popular, artesãos, produtores culturais e equipamentos públicos em sistemas integrados que favorecem a circulação de conhecimentos, a formação de públicos e a sustentabilidade econômica das iniciativas”.
EXPECTATIVAS – O professor Gabriel acredita que os participantes do curso poderão esperar uma exposição que articula fundamentos teóricos — especialmente o pensamento do economista brasileiro Celso Furtado, sobre a dimensão cultural do desenvolvimento — com a apresentação técnica e detalhada das políticas públicas em curso na Secretaria de Economia Criativa.
“A aula percorrerá o histórico da SEC, evidenciando as razões de sua extinção e os significados políticos e institucionais de seu ressurgimento em 2025. Apresentará a estrutura atual da Secretaria, detalhando as atribuições e os programas de cada diretoria, com ênfase especial no trabalho do Observatório Celso Furtado de Economia Criativa, o qual coordeno”.
Conforme Gabriel, os alunos terão acesso a dados, indicadores, marcos normativos e exemplos de programas que materializam a visão furtadiana de que o desenvolvimento brasileiro se realiza quando fundamentado na criatividade e na identidade cultural de nosso povo. Espera-se, ao final, que os participantes do curso reconheçam a economia criativa não como modismo ou agenda setorial, mas como estratégia essencial para a superação do subdesenvolvimento e para a construção de um projeto nacional soberano, democrático e culturalmente plural.
O CURSO – Realizado pela Ação Cultural, em parceria com a SECEL-MT, o Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, a UNEMAT e o IPHAN-MT, é composto por seis módulos, totalizando 180 horas de aulas teóricas e práticas, nas modalidades presencial e virtual e certificação. Com coordenação pedagógica das professoras Denise Argenta, Viviene Lozi e do professor Renato Fonseca, o cronograma conta com visitas técnicas em espaços culturais de Cuiabá e região metropolitana e uma saída de campo para mapeamento e reconhecimento de patrimônios culturais locais. As aulas tiveram início no último dia 6 de fevereiro e o curso tem seu encerramento previsto para o dia 10 de abril.

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