Alunos de diferentes regiões de Mato Grosso relatam impacto da formação e experiência prática no Cine Teatro Cuiabá
A etapa final do curso Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar foi marcada não apenas pelo encerramento de uma jornada formativa, mas também por relatos de transformação pessoal e profissional dos participantes. Vindos de diferentes regiões de Mato Grosso, os alunos da modalidade presencial do curso destacaram o impacto da formação e da vivência prática realizada no Cine Teatro Cuiabá, como um divisor de águas na forma de compreender o patrimônio cultural.
De Juara, o participante Daniel Marcos ressaltou que o principal ganho do curso foi o conhecimento sobre preservação e museologia, áreas ainda pouco difundidas em seu município. Segundo ele, a experiência trouxe um novo olhar sobre a importância de reconhecer e valorizar os bens culturais locais.
“Lá, muitas pessoas ainda não têm esse conhecimento sobre patrimônio. Eu acredito que levar isso para a comunidade vai ajudar a criar uma percepção maior sobre a importância de preservar”, afirmou.

Durante a visita ao Cine Teatro Cuiabá, Daniel destacou a importância da conservação do espaço e sua adaptação para uso contemporâneo sem perder a essência histórica. Para ele, a experiência prática foi fundamental para compreender, de forma concreta, o que é educação patrimonial. “A gente passa a entender na prática aquilo que antes era só teoria, e isso faz toda a diferença”, completou, ressaltando ainda a importância do acesso ao curso para participantes do interior.
Já o participante Lucas Mateus Faria Silva, de Cáceres, destacou a troca de experiências como um dos pontos mais marcantes da formação. Segundo ele, o curso ampliou a compreensão sobre o conceito de patrimônio, que vai além de estruturas físicas e envolve memória, identidade e pertencimento.
“O patrimônio não está só nos prédios. Ele está na memória, nos saberes locais, na forma como a gente se reconhece enquanto comunidade”, destacou.
Para Lucas, a visita ao Cine Teatro proporcionou uma compreensão mais profunda sobre o processo de preservação, mostrando que o patrimônio também está ligado às relações sociais e culturais. Ele afirma que agora se sente mais preparado para aplicar o conhecimento adquirido em sua cidade, especialmente por meio de ações educativas em escolas e iniciativas de inventário participativo junto às comunidades.

“Hoje eu tenho mais segurança para atuar. A ideia é levar isso para dentro das escolas e trabalhar com as comunidades, valorizando os saberes locais e organizando essas ações de forma mais estruturada”, explicou.
Representando o município de Vila Bela da Santíssima Trindade, a participante Joice Gonçalves trouxe um olhar sensível sobre a importância da formação, especialmente para quem atua diretamente com patrimônio cultural. Gestora de um museu em sua cidade, ela destacou que a participação no curso foi uma oportunidade de aprofundar conhecimentos e ampliar perspectivas.
“Foi revelador. Muitas vezes a gente trabalha sem ter uma formação específica, e esse curso trouxe um embasamento muito importante para a continuidade do trabalho”, afirmou.
Joice também destacou que a experiência prática no Cine Teatro não mudou, mas ampliou sua visão sobre o patrimônio. Segundo ela, o contato direto com o espaço e o diálogo com outros profissionais despertaram ideias que poderão ser aplicadas em seu município.

“A todo momento a gente pensava em como levar essas ações para Vila Bela. Isso expande a mente e fortalece o trabalho que já desenvolvemos”, disse.
Ao refletir sobre a importância da educação patrimonial, ela reforçou o papel do conhecimento como ferramenta de preservação. “Quando a gente conhece, a gente passa a respeitar. É isso que garante que esses patrimônios continuem existindo para as próximas gerações”, destacou.
O conjunto de relatos evidencia que o curso cumpriu seu principal objetivo: formar multiplicadores capazes de atuar em seus territórios com um olhar mais crítico, sensível e comprometido com a valorização da cultura. Mais do que uma formação técnica, a experiência proporcionou uma transformação na forma como os participantes se relacionam com o patrimônio, consolidando o conhecimento como instrumento de preservação e identidade.
O CURSO
Realizado pela Ação Cultural, em parceria com a SECEL-MT, o Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, a UNEMAT e o IPHAN-MT, o curso conta com a coordenação pedagógica das professoras doutora Denise Argenta e mestra Vivienne Lozi e do professor doutor Renato Fonseca. Composto por seis módulos, totalizando 180 horas de aulas teóricas e práticas, nas modalidades presencial e virtual e certificação, o projeto prevê visitas técnicas em espaços culturais de Cuiabá e região metropolitana e uma saída de campo para mapeamento e reconhecimento de patrimônios culturais locais. As aulas tiveram início no último dia 6 de fevereiro e seguem até o dia 10 de abril.