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NOTÍCIA

Patrimônio Biocultural e estratégias de ensino a partir de objetos e patrimônios são os temas do módulo 3 do Curso de Educação Patrimonial

 

Participantes da capacitação serão conectados com a história: Primeiro passo para conhecer e preservar

 

A sexta edição do curso gratuito de “Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar” chegou hoje (5), na metade do cronograma proposto aos quase 300 participantes. Além de registrar a maior participação, a capacitação se destaca pela diversidade de público, com profissionais inscritos de várias partes do estado, do Brasil e até mesmo de países vizinhos, como Bolívia e República Dominicana. Na etapa de hoje, de forma online, os multiplicadores iniciam o Terceiro Módulo, que será ministrado por especialistas das Universidades Federal do Ceará e do Estado de Mato Grosso (Unemat).

O módulo foi estruturado de modo a articular os conteúdos estudados nas aulas anteriores e os conhecimentos de  pesquisadores renomados sobre o ensino de história e os usos dos objetos e dos patrimônio – inclusive o patrimônio biocultural – conceito contemporâneo que 

compreende o patrimônio em sua totalidade, como diversidade biológica e cultural. Segundo a professora Denise Argenta, que assina a coordenação pedagógica do curso, junto com a professora Vivienne Lozi e o professor Renato Fonseca, a proposta deste módulo é “construir, junto com os estudantes, conexões entre o ensino formal, realizado em escolas e universidades e a construção de sentidos na sociedade, numa perspectiva de patrimônio integral”. 

O Terceiro Módulo será totalmente online, em duas aulas. A primeira, ministrada pelo professor doutor Francisco Régis Lopes Ramos, da Universidade Federal do Ceará. A aula aborda o aspecto cultural, intrínseco à preservação de patrimônios, com o tema “O objeto gerador: o patrimônio no ensino de história”. Conforme o professor, a aula propõe um olhar criativo e dialógico para o patrimônio cultural, estabelecendo conexões entre história e memória, cotidiano e imaginário, visando integrar teoria e prática em escolas, comunidades e espaços culturais.  

O professor Francisco é pós-doutor em história,  pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com pesquisa abordando o “Museu Histórico Nacional e as narrativas de divulgação da História do Brasil”. E, também é autor de vários livros sobre memória, patrimônios, museus e ensino de história. Dentre os quais se destacam: “A Danação do Objeto: o Museu no Ensino de História”, de 2008, e o mais recente, de 2020, “Em nome do objeto: museu, memória e ensino de história”.

NA SEXTA-FEIRA – O professor doutor Renato Fonseca, da Unemat, irá trabalhar o tema, “Patrimônio Biocultural no Brasil: Desafios Ontológicos e Práticos”.

Ele explica que a disciplina propõe uma reflexão sobre a necessidade de integrar as dimensões cultural e natural na preservação do patrimônio, superando a visão fragmentada que muitas vezes se tem desses elementos. “A partir de experiências na América Latina na preservação e dos debates da ecologia política, discutiremos como o conceito de patrimônio biocultural pode fortalecer a defesa dos territórios e a salvaguarda de cosmovisões de comunidades tradicionais e povos indígenas, especialmente diante das pressões de desenvolvimento territorial”.

Com formações no Rio de Janeiro e Brasília, e atualmente professor visitante no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Unemat, Renato cita o Pantanal mato-grossense. “A partir desse bioma, o foco recairá sobre a íntima conexão de populações tradicionais com o ecossistema, destacando a importância de redes comunitárias e corredores bioculturais. O objetivo é promover uma salvaguarda integral que reconheça o patrimônio cultural e as pessoas como indissociáveis da biodiversidade e dos territórios”, pontua.

Para Renato, que também é um dos coordenadores do curso de Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar, considera a iniciativa fundamental para suprir uma lacuna de formação continuada no Estado. O professor destaca que Mato Grosso possui uma diversidade cultural com referências culturais patrimonializadas e musealizadas riquíssimas, mas enfrenta desafios como a desconexão da população com os bens culturais e episódios de depredação e silenciamentos. “Formar multiplicadores é uma estratégia eficaz para fomentar a preservação e o uso sustentável desses bens, fortalecer vínculos identitários e garantir que o conhecimento seja replicado em escolas e comunidades, promovendo a cidadania e a valorização das nossas memórias e histórias”.

 

O CURSO– Realizado pela Ação Cultural, em parceria com a SECEL-MT, o Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, a UNEMAT e o IPHAN-MT, é composto por seis módulos, totalizando 180 horas de aulas teóricas e práticas, nas modalidades presencial e virtual e certificação. O cronograma conta com visitas técnicas em espaços culturais de Cuiabá e região metropolitana e uma saída de campo para mapeamento e reconhecimento de patrimônios culturais locais.  As aulas tiveram início no último dia 6 de fevereiro e seguem até o dia 10 de abril.

 

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