Formas de gerar sustentabilidade a partir dos bens culturais dominam discussões do curso Educação Patrimonial
Com o tema “Patrimônio Cultural e Turismo: Integração e Valorização”, os quase 300 participantes da sexta edição do curso gratuito de Educação Patrimonial: “Conhecer para Preservar”, concluíram mais um módulo de formação. Nessa segunda etapa, as aulas abordaram o poder do turismo, da economia criativa e da regeneração do meio ambiente como formas de sustentabilidade e conscientização cultural.
A professora e mestra Rejane Pasquali, do ICTHUS Soluções em Turismo, de Cuiabá, abordou o tema: “Planejamento e Gestão do Turismo Cultural”. Como ela explica, a aula abordou os fundamentos do turismo e sua interface com a cultura, destacando o turismo cultural como ferramenta estratégica de valorização da identidade, preservação do patrimônio e desenvolvimento econômico local.
“Foram trabalhados temas como: conceitos de turismo e turismo cultural, bases do turismo, classificação do patrimônio cultural (material, imaterial e natural), perfil do turista cultural, tendências do setor, desafios da interpretação do patrimônio e os cuidados necessários para equilibrar conservação, uso turístico, autenticidade e experiência do visitante. Também foram apresentadas diretrizes para interpretação responsável, design de experiências significativas e os princípios de autenticidade, interação, sustentabilidade, storytelling e personalização no desenvolvimento de produtos culturais”, pontua.
Além do conteúdo do material, foram apresentados exemplos práticos de experiências turísticas culturais já formatadas mediante experiência da professora, como a Vivência no Museu da Viola de Cocho, na comunidade de Varginha (Santo Antônio de Leverger), e o Roteiro Vida Pantaneira, em Poconé, com o objetivo de demonstrar, na prática, como recursos culturais locais podem ser estruturados e aproveitados turisticamente de forma qualificada, autêntica e sustentável. Também foi discutido o processo de formatação de produtos turísticos culturais, incluindo etapas como diagnóstico, segmentação, design de experiência, roteirização, precificação, comercialização, prototipagem, canais de distribuição, lançamento e gestão/monitoramento.
AVALIAÇÃO – A avaliação foi muito positiva, frisa Rejane. “Mesmo em formato EAD, a participação e a interação dos alunos durante a aula foram excelentes, com envolvimento, perguntas pertinentes e uma troca muito rica de experiências, o que enriqueceu significativamente o processo de aprendizagem. Pelos comentários no chat durante a aula, foi possível perceber que o conteúdo gerou muitos insights para aplicação prática nos seus próprios locais e territórios de atuação, o que demonstra aderência do tema à realidade dos participantes e potencial de desdobramento concreto”.
E completou: “Para mim, é sempre uma grande realização poder falar sobre o turismo como ferramenta de desenvolvimento, especialmente mostrando como ele pode contribuir de forma estratégica para diferentes segmentos, valorizar identidades locais, dinamizar economias e fortalecer comunidades. Compartilhar esse olhar técnico, mas também sensível ao território, é algo que considero muito importante na formação de profissionais e gestores”.
AULA 8 – A professora e doutora, Denise Argenta – uma das coordenadoras do curso – integra o corpo docente e durante sua aula trouxe para a discussão e debate dos participantes o tema: “Patrimônio Cultural, Sustentabilidade e Economia Criativa”.
Como explica, a aula teve como objetivo apresentar aos alunos o conceito de Economia Criativa e as possibilidades de aplicação desse conceito e das metodologias associadas a ele na atuação dos alunos em sua prática profissional.
A professora explicou aos participantes que na economia tradicional, o valor está em reservas tangíveis como petróleo, ouro, terras, indústrias. E os maiores indicadores de desenvolvimento são o nível de industrialização e o lucro financeiro acumulado por um país ou região.
Já na Economia Criativa, a riqueza se concentra em reservas intangíveis como criatividade, experiência, cultura, conhecimento, design e inovação. E os indicadores de desenvolvimento se baseiam na distribuição de renda, na qualidade de vida e na retroalimentação da cadeia produtiva.
Nessa perspectiva de economia criativa, ela defende que, em primeiro lugar, tem de haver a escuta da própria comunidade. “O que é importante para as pessoas e por quê? Quais memórias, vivências e valores estão implicados nos bens apontados como importantes? O nome disso é construção de sentidos. Precisa ser feito coletivamente. O próximo passo é identificar como esses bens selecionados podem ser ressignificados nos dias de hoje, garantindo que se preservem, mas também, que atendam às necessidades do presente. Assim, um museu, uma edificação ou um saber que passe por esse processo de reconhecimento coletivo, faz com que a comunidade não apenas relembre memórias antigas ali guardadas. Ele pode se tornar um centro de difusão de saberes tradicionais”
O TEMA ECONOMIA CRIATIVA: Ainda recente no país! Precisa ser mais difundido entre os profissionais da área de patrimônio cultural. O conceito deve ser apropriado e implementado na forma de ações práticas, no cotidiano das pessoas. Nesse sentido, avalio que a aula trouxe referências, metodologias e inspirações importantes para que os alunos repliquem esses saberes em seus territórios.
O CURSO– Dividido em seis módulos, totalizando 180 horas de aulas teóricas e práticas, nas modalidades presencial e virtual, o cronograma conta com visitas técnicas em espaços culturais de Cuiabá e região metropolitana e uma saída de campo para mapeamento e reconhecimento de patrimônios culturais locais. Entre os temas a serem abordados estão educação patrimonial, museologia, turismo, sustentabilidade e meio ambiente, memória social, políticas públicas de cultura, diversidade cultural e patrimônio histórico. As aulas tiveram início no último dia 6 de fevereiro e seguem até o dia 10 de abril.
A professora Denise Argenta, que integra a equipe de coordenação pedagógica do curso, juntamente com a professora Vivienne Lozi, da Ação Cultural, e o professor Renato Fonseca, da UNEMAT, destacou que o curso é inovador, tanto em conteúdo, quanto no corpo docente, que reúne alguns dos maiores especialistas do Brasil na área de museus e patrimônios. “Além disso, conta com a diversidade de olhares e experiências de mais de 300 alunos, de Mato Grosso e de todas as regiões do país, que são profissionais atuantes em seus territórios. Esse diferencial torna o curso um laboratório de saberes compartilhados que é bastante inspirador”.
FECHANDO O MÓDULO– A aula 9, que encerra o segundo módulo, será ministrada de forma presencial, das 10h às 18h, no próximo dia 28, pela professora e mestra Lucimara Letelier do Regenera Museu / ICOM Brasil, que abordará o tema: “Práticas Sustentáveis e Turismo Cultural Regenerativo”.