image

Nós somos a Ação Cultural

HÁ 25 ANOS TRANSFORMANDO VIDAS ATRAVÉS DA CULTURA

NOTÍCIA

Tour pelo patrimônio cultural de Cuiabá marca fim de curso de capacitação

Dois últimos módulos do curso, ministrado de maneira 100% gratuita para quase 300 participantes, traz aula prática de visitação e, ainda, aulas presenciais com especialista em cultura indígena e com museólogo paraibano do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), no Cine Teatro Cuiabá

O octogenário Cine Teatro Cuiabá, no centro histórico da capital, será o ponto de partida de uma imersão pela história, pela cultura e pelo patrimônio local. Prestes a completar 307 anos de fundação, Cuiabá guarda testemunhos valiosos dos séculos passados. E é exatamente essas memórias, impregnadas em edificações, objetos e nas tradições preservadas pelos seus habitantes ao longo do tempo, que servirão de cenário para um tour de visitação guiada, atividade que encerra a sexta edição do curso gratuito “Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar”, capacitação ofertada de forma 100% gratuita a quase 300 participantes de Mato Grosso, de todo o país e até mesmo de países vizinhos como Bolívia e República Dominicana.

A atividade de visita técnica aos equipamentos culturais tem como roteiro, além do Cine Teatro, o Grupo Flor Ribeirinha e o Museu de História Natural de Mato Grosso. “A aula prática está fundamentada em uma abordagem qualitativa de pesquisa de campo, utilizando como técnica principal a observação sistemática e interpretativa do fenômeno cultural no território”, como explica uma das coordenadoras do curso e diretora-executiva da Ação Cultural, a museóloga e professora. Ma. Viviene Lozi.

A aula prevê espaço para que os alunos coloquem em prática as metodologias apresentadas ao longo do curso, a partir de um diagnóstico de campo em que os estudantes serão convidados a registrar, interpretar e analisar dimensões institucionais, educativas, sociais e patrimoniais dos espaços visitados. “A metodologia dialoga com perspectivas etnográficas, museologia social e com os princípios de inventário participativo desenvolvidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)”.

Outra coordenadora do curso, a professora e doutora Denise Argenta, lembra que foram 180 horas de aulas teóricas e práticas, nas modalidades presencial e virtual, dividido em seis módulos. “Construímos uma didática que permite a real formação de multiplicadores. Trouxemos especialistas renomados tanto no Brasil quanto no exterior, e especialmente, valorizamos os profissionais formados e que atuam no Estado. A investigação e a escuta são etapas indissociáveis e começam no reconhecimento do bem cultural. Conhecer e ressignificar é igual a produzir conhecimento”.

RETA FINAL – Antes da imersão no DNA da cultura cuiabana, os participantes finalizam o penúltimo módulo. Especialmente nessa etapa da capacitação, os professores – ambos doutores nas áreas que atuam e mais uma vez renomados – trazem conhecimento prático de sua vivência, como Isabel Teresa Cristina Taukane, indígena do povo Kurâ-Bakairi – Mato Grosso e doutora em Estudos de Cultura Contemporânea pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o professor e doutor Átila Tolentino, que vem da Paraíba, onde é Chefe da Divisão de Museologia Social do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).

Responsáveis pela aula 17 do cronograma do curso, o museólogo Átila traz para o debate o tema “Museologia social, memória e educação: conceitos, interfaces e práticas”, que será debatido durante na sexta-feira (20), das 9h às 18h.

Ainda na sexta-feira, a partir das 18h30, será a vez da doutora Isabel Taukane, fechar o módulo trazendo à prática o tema: “Patrimônio Cultural Indígena – Decolonialidade e curadorias compartilhadas”.

OS TEMAS – O professor e doutor, Átila Tolentino, estará pela primeira vez em Cuiabá. Atualmente responsável pela Divisão de Museologia Social do Instituto Brasileiro de Museus, autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, responsável pela gestão e implementação de políticas públicas para o setor museológico em todo o país.

“Na minha disciplina buscarei fazer uma reflexão coletiva sobre conceitos importantes que permeiam a educação patrimonial, como os conceitos de cultura, memória, identidade e patrimônio cultural. Como estamos no módulo final do curso, será também uma oportunidade de sistematizar muita coisa que já foi debatida nos módulos anteriores”.

A professora e doutora, Isabel  Taukane, propõe uma imersão crítica e sensível nos modos de compreender, viver e preservar o patrimônio a partir das perspectivas dos povos indígenas.

“A formação tem como objetivo romper com visões tradicionais e coloniais de patrimônio, frequentemente centradas em objetos, registros escritos e instituições, e apresentar outras formas de conhecimento baseadas na oralidade, na espiritualidade, na memória e na relação profunda com o território”, reforça.

ENCERRAMENTO: Após a conclusão da etapa de aulas, os alunos se dedicarão a elaborar o trabalho final do curso – requisito obrigatório para a certificação. Os trabalhos dos alunos serão sistematizados pela comissão organizadora do curso, em uma publicação, que será divulgada gratuitamente ao público. Segundo o professor Renato Fonseca, da UNEMAT, que assina a coordenação do curso junto com as professoras Denise e Viviene, para os trabalhos finais dos alunos “Estão previstos estudos de caso sobre patrimônios culturais, ensaios críticos sobre bens culturais, propostas de ação educativa e de educação patrimonial, ensaios fotográficos retratando patrimônios imateriais, diagnósticos de bens culturais, dentre outros formatos”. O curso é um projeto da Ação Cultural, realizado em parceria com a SECEL, o Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, a UNEMAT e o IPHAN-MT.

 

foto João Felipe/Secel-mt

Rolar para cima