Coordenadora reforça criação de rede nacional de multiplicadores e impacto direto nos territórios
Uma das coordenadoras do curso Educação Patrimonial: Conhecer para Preservar, a museóloga Viviene Lozi avalia a sexta edição da formação como um marco na consolidação da iniciativa enquanto política de formação continuada no Brasil. Mais do que um curso, segundo ela, o projeto se estabelece como uma rede ativa de profissionais preparados para atuar diretamente na valorização e preservação do patrimônio cultural em diferentes territórios.
De acordo com Viviene, o principal resultado desta edição não está apenas na realização das aulas, mas no impacto que começa a ser gerado a partir de agora, com o retorno dos participantes às suas comunidades. “Estamos formando multiplicadores que saem mais preparados, com repertório técnico e sensibilidade crítica, capazes de desenvolver projetos, influenciar políticas locais e fortalecer a preservação do patrimônio cultural”, destacou.
ALCANCE QUE SE TRANSFORMA EM CAPILARIDADE
Com quase 300 participantes entre as modalidades presencial e online, o curso alcançou um público diverso, composto por profissionais de diferentes regiões e áreas de atuação. Para a professora, esse número representa muito mais do que alcance, simboliza a capilaridade da formação.
“São pessoas que agora levam esse conhecimento para seus municípios, instituições e comunidades. Isso fortalece a educação patrimonial como estratégia de base, com potencial de influenciar práticas locais, políticas públicas e iniciativas culturais”, explicou.
Segundo ela, trata-se da construção de uma rede que se expande continuamente, a partir da troca de experiências e da aplicação prática do conhecimento adquirido.
FORMAÇÃO COM POTENCIAL TRANSFORMADOR
Ao longo dos módulos, o curso abordou temas como sustentabilidade, memória, identidade e patrimônio, sempre conectando teoria e prática. Para Viviene, esse conjunto de conteúdos tem um forte potencial transformador, especialmente por atuar na forma como as pessoas percebem seus próprios territórios.
“Quando o participante passa a entender o patrimônio como algo vivo, ligado à identidade, à memória e à sustentabilidade, ele começa a desenvolver ações mais conscientes e integradas”, afirmou.
Esse processo, segundo ela, pode resultar em projetos culturais, ações educativas, inventários participativos e mobilizações comunitárias, contribuindo diretamente para o fortalecimento das políticas públicas e da cultura local.
TEORIA QUE GANHA VIDA NA PRÁTICA
A etapa final do curso, marcada pelas visitas técnicas e atividades de campo, foi apontada como essencial no processo de aprendizagem. Para Viviene, esse é o momento em que todo o conteúdo trabalhado ao longo da formação se conecta de forma concreta.
“É quando a teoria deixa de ser abstrata e passa a fazer sentido dentro dos espaços culturais e dos territórios. Isso dá mais segurança para que os participantes possam aplicar o que aprenderam no dia a dia”, explicou.
Lozi foi responsável pela elaboração de um roteiro de análise para orientar os alunos durante as visitas, permitindo que eles relacionassem, na prática, os conteúdos estudados nos módulos com a realidade observada nos espaços culturais.

O CURSO
Realizado pela Ação Cultural, em parceria com a SECEL-MT, o Conselho Estadual de Cultura de Mato Grosso, a UNEMAT e o IPHAN-MT, o curso conta com a coordenação pedagógica das professoras doutora Denise Argenta e mestra Vivienne Lozi e do professor doutor Renato Fonseca. Composto por seis módulos, totalizando 180 horas de aulas teóricas e práticas, nas modalidades presencial e virtual e certificação, o projeto prevê visitas técnicas em espaços culturais de Cuiabá e região metropolitana e uma saída de campo para mapeamento e reconhecimento de patrimônios culturais locais. As aulas tiveram início no último dia 6 de fevereiro e seguem até o dia 10 de abril.
LEGADO QUE CONTINUA
Para Viviene Lozi, o encerramento do curso não representa um ponto final, mas o início de um novo ciclo. Com uma rede de alunos espalhados por diferentes regiões do país, a expectativa é que o conhecimento continue sendo multiplicado e adaptado às realidades locais.
“O impacto do curso começa agora. É nas comunidades, nos projetos e nas ações que esses participantes vão desenvolver que a educação patrimonial realmente se concretiza”, concluiu.